Transcrição de áudio - Curto-Circuito 68: Um Réquiem Para as Políticas do PT Para o Setor Elétrico

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Meus amigos e minhas amigas, bem-vindos a todos e a todas ao Curto-Circuito.

Um programa do grupo de economia da energia que discute as grandes questões do setor elétrico no Brasil e no mundo.

Nesse Curto-Circuito de número 68, eu gostaria de conversar com vocês sobre um assunto muito importante, que é o acordo entre a Eletrobras e o Governo.

Um acordo pelo qual, em troca de 3 cadeiras do conselho de administração e mais uma cadeira no conselho fiscal, o Governo abre mão das suas reivindicações, dos seus questionamentos sobre o processo de privatização da Eletrobras.

No último programa a gente trouxe aqui.

A professora Clarice Ferraz e o engenheiro Ikaro Chaves justamente para analisar esse acordo, para conversar com a gente sobre esse acordo, sobre as suas consequências.

Nessa última semana, saiu o nome daqueles indicados pelo Governo justamente para ocupar essas cadeiras.

Eu achei os nomes muito representativos, muito simbólicos da política do Governo ou dos Governos do PT nos últimos 20 anos.

Achei esses nomes muito, muito fortes, muito pesados, muito simbólicos, muito representativos.

Nomes que dizem muito sobre essas políticas.

O doutor Silas. Ele substituiu o professor Luiz Pinguelli Rosa na presidência da Eletrobras no primeiro Governo Lula, a partir de uma indicação do senador José Sarney.

O Silas sempre representou esse acordo entre o PT e o PMDB, na governança do setor elétrico

Outro nome foi do Maurício Tolmasquim. Maurício, ele presidiu a Eletrobras, presidiu, minto, a EPE, presidiu a EPE desde o seu nascimento até o final do Governo da Dilma.

Então, muitas decisões, muitas questões passaram pelo Maurício ao longo desses anos.

O doutor Nelson Hubner, ele foi da agência nacional de energia elétrica, da agência reguladora e também foi ministro interino de Minas e energia, também uma figura representativa.

Então eu diria que esses nomes, eles falam muito sobre essas políticas. Essas políticas para o setor elétrico que foram desenvolvidas, implementadas pelo PT nesses últimos 20 anos - tirando lá a fase do Governo Bolsonaro, evidentemente, e do Governo Temer.

Eu acho que esses nomes, na verdade, eles coroaram, eles foram uma espécie de ato final dessas políticas.

De uma política... de políticas que, ao fim ao cabo, elas se encerram com a privatização da Eletrobras, uma privatização que, a partir do acordo, o Governo sanciona, o Governo assina embaixo e abre mão de todo tipo de questionamento.

E também de políticas que chegam agora na proposta da ampliação do Mercado Livre e da liberalização do mercado.

Então eu acredito que, no limite, a indicação desses nomes é quase um réquiem.

Um réquiem pra essas, se vocês, se algum de vocês não sabem, um réquiem é uma canção, é uma música pra um rito litúrgico.

Qual rito litúrgico?

A missa, a missa dos mortos.

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O réquiem é o famoso descansem em paz.

Então achei que a indicação desses nomes foi isso, foi um réquiem para as políticas do PT nesses últimos 20 anos, que ao final termina de uma forma melancólica, com a sanção da liberalização do mercado, que passa a ser uma proposta do Governo, e da privatização da Eletrobras.

Então achei que esse momento era muito importante, que valia a pena uma conversa com vocês.

Afinal de contas, a gente vem conversando sobre o setor elétrico nos últimos 4 anos.

Esse é o Curto-Circuito de número 68.

Então nós somos, digamos, companheiros de viagem.

Estamos sempre aqui conversando sobre o setor.

Então eu achei que eu devia vir aqui conversar com vocês sobre isso, que isso é importante.

É necessário.

A gente precisa conversar sobre isso.

É claro que eu tenho amigos meus que estão do Governo do PT.

Reconheço um momento muito difícil do Governo, um momento onde justamente você está tentando criar agendas positivas, recuperar a popularidade do presidente.

É um momento difícil para o Governo.

Eu sei.

Um Governo muito pressionado, pressionado pela mídia, pressionado pela burguesia, pressionado por uma por uma burocracia estatal muito mais lavajatista e bolsonarista do que uma burocracia estatal desenvolvimentista, progressista ou alguma coisa desse tipo.

Então, o Governo está sob pressão muito forte.

Então, esse é um tema que o Governo evidentemente não quer conversar sobre ele, tanto é que não tem conversado.

Não tem falado.

São poucas as manifestações do Governo sobre o acordo e todas elas muito frágeis, muito, na verdade, a famosa cara de paisagem.

O Governo está fazendo cara de paisagem, de paisagem, fazendo que não é com ele.

Então, falar sobre esse assunto é difícil para o Governo.

Isso eu sei, mas a gente precisa conversar sobre isso.

E a gente precisa conversar sobre isso.

Me desculpe, mas eu falo com meus amigos: foram vocês que fizeram acordo.

A gente sempre se posicionou e levantou uma série de questões que desaconselhavam, questões que desaconselhavam o acordo e que não era necessário, no mínimo, no final, assinar o acordo.

Não havia nenhuma pressão gigantesca para assinar o acordo, mas vocês assinaram.

Então a gente tem que conversar sobre isso, porque isso tem implicações, tem consequências que são muito grandes.

A Eletrobras está comemorando.

As ações subiram, é óbvio, o acordo é muito favorável pra ela e o Governo não quer falar sobre isso.

Foge disso como o diabo da Cruz.

E quem fala?

Me desculpe, só fala bobagem, não acrescenta nada, então era melhor ficar calado.

Mas como dizia o grande Túlio maravilha quando o Botafogo ganhou do Santos na final do Campeonato Brasileiro, de 95 num gol.

Num gol que os santistas questionam, o Túlio falou uma frase famosa.

Quem ganha comemora, quem perde se justifica.

A Eletrobrás tá comemorando.

A Eletrobras está comemorando e o Governo nem se justificar está se justificando, mas a gente tem que conversar sobre isso.

A gente tem obrigação de conversar sobre isso.

Eu posso ser botafoguense, mas eu falo sobre futebol.

Não é porque eu sou botafoguense que eu não vou falar mal do Botafogo nas análises que eu faço sobre futebol, porque eu sou um analista de futebol.

Então, eu sou um analista do setor elétrico, eu não sou um analista político.

Pode ser que as explicações todas para o acordo estejam na dimensão política e alguém aparece e fale sobre isso.

Mas em termos do setor elétrico, me desculpe, eu não, eu não posso justificar.

E acho importante a gente conversar sobre isso.

A gente não pode chegar e ficar empurrando os problemas para embaixo do tapete.

A gente precisa falar sobre as coisas.

Porque isso ajuda a gente a compreender essas coisas e ajuda a gente a seguir em frente.

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E a gente precisa seguir em frente e a gente vai seguir em frente.

Então foi por isso que eu resolvi, nesse programa, conversar com vocês sobre esse tema.

Vocês me perguntam, Ronaldo, começar pelo princípio, por que que você acha que o acordo, na verdade ele coroa, ele fecha, ele é o ato final dessas políticas do PT para o setor elétrico e desde lá do Lula

 Um em 2003, quando aparece pela primeira vez a mudança do modelo institucional.

O que que você acha disso?

Meus amigos, essa é uma questão que eu tenho amadurecido ao longo do tempo e amadurecido nos últimos dias, nos últimos dias, nos últimos meses, vendo as coisas que estão acontecendo.

Eu já falei com vocês que o setor elétrico é complexo.

A gente vai amadurecendo ao longo do tempo, vai mudando coisas que a gente pensava.

Tem coisas que mesmo depois de 40 anos no setor de energia, tem coisas que eu aprendi há 2/3/4 meses atrás.

Tem coisas que eu mudei a minha percepção no ano passado.

A partir da conversa, da reflexão, de ouvir as outras pessoas, lidar com o setor complexo, como o setor elétrico, é um contínuo aprendizado.

A gente tá sempre aprendendo, a gente tá sempre amadurecendo.

E isso também me aconteceu e tem me acontecido recentemente.

Em relação a essas políticas do PT para o setor elétrico, a vê-las de uma forma diferente.

Eu estou escrevendo um artigo junto com alguns colegas do Instituto de Economia e versa sobre esse tema.

Eu vejo hoje de uma forma muito clara, uma determinada questão, a reforma liberal do setor elétrico brasileiro.

Ela tem 2 momentos, um momento malsucedido.

Um momento fracassado.

O momento que é uma patuscada, que é o Governo Fernando Henrique Cardoso, a reforma neoliberal, ela

fracassa.

No Governo Fernando Henrique, ela se encerra de uma forma melancólica, que é o racionamento.

O racionamento é a derrota da reforma liberal.

O racionamento é o fracasso do Governo Tucano.

É a prova da sua incompetência e uma incompetência que justamente é cobrada nas eleições de 2002, onde o PSDB é derrotado pelo PT e o

Lula acende o poder.

Então, esse primeiro momento é um momento do fracasso.

A reforma liberal do setor elétrico brasileiro, ela vai justamente avançar no Governo petista.

Vai ser nos Governos do PT que a participação da iniciativa privada, ela vai se ampliar no setor elétrico.

Onde você vai passar a ter uma privatização do setor elétrico, mas uma privatização consistente.

Coisa que não aconteceu no Governo Fernando Henrique.

E, por outro lado, vai ser no Governo do PT que você vai criar um Mercado Livre.

É que o Mercado Livre, a liberalização do mercado, a competição no mercado, ela vai passar a existir

o Mercado Livre não foi viabilizado no Governo do Fernando Henrique.

Fernando Henrique não conseguiu viabilizar o Mercado Livre, mas o Governo do PT viabilizou esse mercado livre.

Então, os Governos do Lula e os Governos da Dilma, eles tornaram realidade aquele projeto Tucano, que era um projeto profundamente incompetente.

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Então se avançou nisso.

E evidentemente que na medida em que se avançou nisso, você teve os ônus bônus, que é o reconhecimento do mercado e, por outro lado, os bônus ônus, que são todos os problemas de fragilização, fragmentação, desestruturação do setor elétrico, que era fruto exatamente dessa proposta liberal.

E que vai culminar, ao fim e ao cabo, no fracasso das políticas petistas.

Um fracasso já desenhado, na verdade, desde o início, a partir dessa opção de levar a cabo o projeto liberal dos tucanos.

Só que nós petistas somos mais competentes e vamos levar isso de uma forma mais competente.

E foi isso que aconteceu.

Você teve a competência de levar o projeto a cabo.

E o projeto, a partir do momento que ele é implementado, ele passa a ter todos aqueles problemas que são característicos desse tipo de projeto, não só aqui, mas no mundo inteiro.

É disso que se trata.

É claro que isso vai ser levado ao limite.

Quando, com a assinatura do contrato do acordo com a Eletrobras, quando você sanciona a privatização da Eletrobras e anuncia a liberalização do mercado, você vai viabilizar mais uma vez uma outra pauta.

Que pauta? A pauta do golpe de 2016.

Qual é a qual é a pauta do golpe de 2016?

Qual é a pauta da ponte pro futuro?

Do Governo Temer?

Que pauta é essa pro setor elétrico? Privatização, liberalização do mercado.

Então, agora nós chegamos ao máximo, enfim, da coroação desse processo todo, que é implementar a agenda da ponte pro futuro, a agenda do golpe de 2016, daquele golpe que foi dado justamente contra nós.

Sancionamos a privatização e partimos para a liberalização do mercado.

Entendem por que eu considero esse momento uma coroação, o ato final, o réquiem, e houve muitas soluções engenhosas nesse processo.

E aqui tem 3 pontos que eu gostaria de ressaltar, porque eles são importantes.

É preciso que a gente entenda isso, entenda essas coisas.

Para não repetir essas coisas é importante isso.

Tem uma metáfora do Norberto bobbio, que eu gosto muito, que eu coloquei até na minha tese de doutorado.

Ela tem essa frase do Norberto bobbio, que é sobre o labirinto.

A gente tá no labirinto e ninguém vai tirar a gente do labirinto, ninguém vai aparecer ali pra sacar a gente do labirinto.

Esse labirinto que a gente está, a gente tem que nós mesmos temos que encontrar a saída.

Nós temos que encontrar a saída do labirinto, ninguém vai encontrar pra gente.

Ninguém vai sacar a gente.

A gente tem que encontrar.

E o labirinto ensina muita coisa.

O labirinto, ele não ensina o caminho da saída, ele não te dá isso.

O que que o labirinto te ensina é sobre os caminhos que não levam à saída.

São os caminhos que não levam a lugar nenhum.

Então essa conversa de hoje com vocês é uma conversa importante por isso.

Porque é uma conversa sobre aqueles caminhos, sobre aquelas políticas que não levam a lugar nenhum,

só levam ao nosso próprio fracasso.

Então a gente tem que discutir isso e a gente tem que aprender sobre isso.

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Se a gente quer sair do se a gente quer encontrar soluções para os problemas que nós temos.

Tem coisas que nós fizemos que a gente achou muito interessante.

Por exemplo, é claro que nós tínhamos um problema gigantesco.

No caso do setor elétrico brasileiro, para introduzir a competição, nós construímos um setor que no coração desse setor hidrelétrico está o quê?

A otimização, a gestão centralizada do sistema, ou seja, do conjunto de reservatórios.

Nós operamos de uma forma centralizada esses reservatórios como se fosse um reservatório só pra poder tirar o máximo de escala, o máximo de diversidade, o máximo desculpo desse conjunto de reservatórios.

Aí você propõe a introdução da competição, você propõe então a autonomia dos agentes.

Olha só, como é que eu introduzo a competição, que é a autonomia dos agentes.

Cada um toma sua decisão, a diversidade estratégica e esse, essa coisa centralizada aí nós criamos o quê?

Nós pegamos uma coisa lá do Governo Fernando Henrique, trouxemos pra cá e chamamos de garantia física.

Que foi a maneira como a gente compatibilizou as 2 coisas.

Então faz o seguinte, a gente continua operando centralizado, tudo centralizadamente, tudo centralizadamente.

E vamos assim, ó, esse sistemão aqui vai produzir 100, aí chego pra cada hidrelétrica e dou um certificado pra elas, dizendo o que que elas podem comercializar.

Então cada um de vocês, desses 100, vai poder comercializar 10.

Como você comercializa?

Isso aí é problema seu.

Aí você exerce a sua autonomia, a competição, a concorrência.

Aí você brinca de concorrência.

Nós criamos isso, criamos um monstro compatibilizamos competição, né?

Com otimização, mas criamos um imbróglio do tamanho de um bonde.

É a tal da garantia física e é a tal da garantia física.

Nós fizemos um programa aqui, o Curto-Circuito 14, se vocês têm interesse.

Onde se discute especificamente isso?

A garantia física, que não garante coisa nenhuma.

E como diz o Roberto d’Araújo, do instituto ilumina, não é garantia, não é física, não é coisa nenhuma.

É um monte de energia sem lastro, de energia que não existe e que essa história foi crescendo, crescendo, crescendo, crescendo.

E é um dos problemas gigantescos do setor elétrico.

Nós achamos o máximo. Ah, resolvemos o problema.

Podemos fazer otimização e competição ao mesmo tempo.

Não, não podemos.

Uma outra questão fundamental foi a criação de 2 ambientes.

Um único sistema, um único sistema elétrico e 2 ambientes de comercialização.

Um livre e um regulado é uma solução, assim Deng Xiaoping, né?

Um país e 2 sistemas, nós temos pro setor elétrico, uma solução Deng Xiaoping para o sistema elétrico.

Qual é o problema, Ronaldo?

Gente.

Tem certas coisas que a gente já sabia em 2001, 2002, 2003, a partir da crise da Califórnia, dos grandes racionamentos, dos grandes apagões que soterraram, pelo menos no caso americano, a reforma liberal, como a reforma do setor elétrico. Depois da Califórnia, depois dos apagões, sumiu.

Então tem algumas coisas que a gente já sabia, o que que a gente já sabe e já sabemos isso há 20 anos e já sabíamos quando o modelo de 2003 foi implementado.

Mercados de energia, mercados puros de energia, não são capazes de gerar preços, de gerar sinais via preço que garanta a expansão adequada desses mercados.

Por isso os racionamentos, por isso os apagões.

Você precisa de outras coisas.

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Ah, mercado de capacidade, aí você foi pendurando puxadinhos no mercado, isso a gente já sabia.

Então, se você fazia um Mercado Livre, esse mercado não vai garantir a expansão.

Como é que a gente resolveu isso? De uma forma brilhante.

A gente criou um mercado regulado, esse mercado regulado é que carrega a expansão.

É esse mercado regulado que fica responsável pela expansão, que fica responsável pela confiabilidade, pela segurança do sistema.

Ele que garante o jogo e o Mercado Livre fica aqui na sombra, na boa.

Não paga os encargos, não paga a expansão, não paga nada.

O pessoal que estava aqui, a indústria adorou, adorou essa solução.

Qual é o problema?

O problema, meus amigos, é que nesses 20 anos, 20 anos, mais de 20 anos de Mercado Livre, o mercado regulado, o consumidor cativo, o consumidor residencial, nós transferimos pro Mercado Livre mais de 400 bilhões de reais.

A energia barata do Mercado Livre foi sustentada por nós. 400 bilhões. 2023 chegava a 40 bilhões por ano.

Isso é que é subsídio, meu amigo.

Isso o Roberto Araújo lá do instituto ilumina chama de a bolsa quilowatt hora.

É a maior bolsa que tem. 400 bilhões de reais em 20 anos.

E isso feito por um Governo do PT progressista, porque nós encontramos brilhantemente a maneira de satisfazer, de introduzir a competição e a concorrência e ao mesmo tempo garantir a expansão.

É claro que tudo isso capotou a partir de 2012.

A partir de 2012, isso capota, porque em 2013 você começa a ter déficit hídrico.

Enquanto você não teve déficit hídrico, deu para você deitar e rolar em cima da garantia física, porque tinha energia hidrelétrica sobrando e brincar de Mercado Livre, que era aquela energia que a gente chama de uma energia secundária, é aquela energia hidrelétrica que não estava prevista, que São Pedro mandou a mais, caia tudo no mercado livre.

Uma maravilha, beijo na boca.

A partir de 2013, até hoje, você só tem déficit, déficit, déficit, déficit hídrico.

Então, a gente teve superávit hídrico de 2005 até 2012, que sustentou esse modelo, essa bizarrice que nós inventamos achando que aquilo era o máximo e depois de 2013 foi tudo para as calendas, foi tudo pro vinagre.

E o modelo foi desmanchando.

E aí quando entraram as energias renováveis, aí a maionese desandou de vez.

E você tem essa zona, essa coisa descaralhada, que é o setor elétrico brasileiro hoje.

Aí chega em 2012, mas no momento épico, a gente fala assim, resolvemos todos os problemas do setor elétrico brasileiro.

O nosso modelo é sensacional.

Como eu vi gente falando, é o melhor do mundo.

Nós compatibilizamos, competição, coordenação, a gente é foda.

Então vamos fazer a medida provisória 579, que a gente resolve de fato transferir uma quantidade de renda gigantesca do setor elétrico, que já está tudo resolvido para os consumidores.

Aí sai a medida provisória 579, em 2012, o último ano de superávit hídrico, depois encarreirou 11/12 anos de déficit e a vaca foi solenemente para o brejo e por requintes de perversidade, aquela

Eletrobras que em 12 toma uma cacetada na sua receita.

Ela garante um investimento do setor elétrico em 2013, em 2014 e 2015, investindo 10 bi. 10 bi em 13, 10 bi em 14 e 10 bi em 15.

Uma maravilha, brilhante.

Por isso quando as pessoas falam... não, não, não foi não, cara.

O modelo era ruim, 2003 ele já era ruim.

Ele tinha inconsistências internas pesadíssimas.

O instituto ilumina falou isso durante mais de 10 anos.

Ninguém deu a mínima.

Essa é a política do PT para o setor elétrico.

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Para culminar, a privatização via a parceria.

Via as famosas sociedades para fins específicos, no qual a Eletrobras, o grupo Eletrobras, alavancou um monte, um monte de projetos.

Alguns deles questionáveis.

E tudo mais para o que para que aumentasse a participação do setor privado no setor elétrico.

Uma das primeiras coisas que a Eletrobras privatizada faz é o que? Detonar todas essas parceiras.

E assim a gente fez.

A gente aumentou a participação do setor privado no setor elétrico, a gente aumentou a competição e a concorrência, não só diretamente no Mercado Livre, mas também através dos leilões.

Então nós éramos o máximo. Tem competição ex ante. Tem competição expost, tem tudo.

Nosso modelo é uma maravilha.

Não era.

E a gente vai encontrar justamente essas pessoas que estão indo para Eletrobras sentar-se lá no conselho de administração.

Como, assim, os melhores quadros do PT.

Se você quiser, você pode ler dessa maneira. O Silas, o Tolmasquim, o Hubner são os melhores quadros que o PT tem para mandar para o setor elétrico.

É isso aí, é o pessoal que fez isso aqui.

Ou seja, a gente vai recompensando.

O nosso fracasso.

Vamos recompensar o fracasso, vamos recompensar os equívocos, vamos recompensar os erros.

O que, sem dúvida é a cereja de bolo.

É a cereja do bolo do acordo.

Então é por isso que quando eu olho essas coisas todas olhando em perspectiva.

É claro que é correto, é correto.

Eu entendo que as pessoas que estavam ali naquele momento fazendo aquilo não tinham determinadas informações, mas isso é verdade até a página 6. Tinha coisas que a gente já sabia.

Tinham críticas que as pessoas - e eram engenheiros honestos, eram críticas honestas, eram críticas honestas que estavam sendo colocadas.

Então eu acho que coroa isso, o acordo coroa tudo isso. Coroa o nosso fracasso, o fracasso das políticas do PT para o setor elétrico brasileiro.

E o acordo é perverso.

Por que o acordo é perverso?

Ele, pô, ele é.

Ele é perverso, porque ele representa uma derrota, uma derrota humilhante.

Ele representa uma derrota humilhante pro país.

Um país que no momento de transição energética, coloca, perde o controle, coloca ativos, recursos que são essenciais, que são fundamentais, na mão do setor privado, na mão da especulação.

Qual é o país do mundo que faz isso nesse momento?

Você não vai encontrar, me diga um que está fazendo esse movimento, imagina os reservatórios.

Reservatório é um recurso de flexibilidade pra você que está entrando com renovável.

Venta, para de inventar, faz sol, para de inventar, tá entendendo?

Essa intermitência, entra, sai, você tem um cara que segura isso. Tem uma bateria que, Ah, parou de ventar gera a partir dessa água que tá no reservatório, cara.

Reservatório é uma coisa, é mamão com açúcar no momento desse, é um ativo estratégico fundamental.

É a possibilidade de você intervir.

Você vai ter um papel importante na formação de preço em tudo isso.

Não é pra você, pra você entregar isso, cara.

E são reservatórios, são ativos que são raros, escassos.

Você acha que a gente vai construir grandes reservatórios de agora em diante? Qual a possibilidade disso acontecer?

Nenhuma. Cai na real.

35:16

Olha a renda que a gente brinca.

A renda diferenciada, a renda de monopólio, renda hidráulica, chama do que você quiser.

O que eu tô falando é muita grana, porque você tem uma coisa que ninguém tem.

Isso vai gerar uma grana preta pra você.

Se você tem uma coisa aqui, né?

Ninguém tem.

Você pode não saber a economia, mas você sabe que o que dá valor as coisas é escassez.

Você tem algo que é escasso.

O que que a gente vai fazer com essa renda?

Essa renda gigantesca “gigantescona” que vai ter?

A gente vai pegar isso e vai fazer usar isso para reduzir o custo da transição energética brasileira, para reduzir o custo da energia elétrica?

Pra dona Maria, pro seu João, pro empresário?

Não.

A gente vai pegar toda essa renda e vai colocar no bolso dos acionistas da Eletrobras e no bolso dos diretores da Eletrobras, que ganham uma baba, inclusive os caras que vão sentar nessas famosas cadeiras duzentinho por mês, cara, 200.000 por mês é?

Não é pouco, né?

Agora imagina o presidente, os diretores, é a festa da floresta.

Nós fizemos isso.

Então é uma derrota pra um país.

É uma derrota gigantesca pra um país quando você faz isso.

Então, quando você aceita a privatização, e é isso e está na mão dos caras, olha o tamanho da derrota para o país, olha o tamanho da derrota para as instituições.

A privatização teve ilegalidades, ilicitudes, inconstitucionalidades.

Rapaz, foi o diabo, rolou de tudo na porra da privatização.

As instituições agora estão sancionando.

É interessante porque quando se fala do golpe político.

Aí você vai lá, condena o Bolsonaro, condena os milicos, a mulher que pintou, né, pintou a estátua, dá a maior esculhambada.

Claro, tem limites, é importante, a lei é importante, a Constituição, são importantes as regras, as normas, os procedimentos, o estado de direito. Tem que encanar esses caras.

Está pensando que isso aqui é o quê? É a casa da mãe Joana?

Mas aí quando chega na privatização, que também foi uma esculhambação, aí não, aí pode, aí pode, não tem problema as ilegalidades, pode, as inconstitucionalidades, pode.

Então o golpe político, Ah, engrossa, o golpe econômico,

Ah, não, esse pode, está todo mundo ali.

O supremo vai sancionar, porque no dia que o Supremo chegar, o supremo quer dizer que.

O supremo vai sancionar um conjunto de ilegalidades, porque aqueles que estavam envolvidos nessas ilegalidades entraram num acordo.

Se a bandidagem faz um acordo, então deixa de ser bandidagem.

É isso que vai ser interpretação do supremo.

Ou seja, o acordo também é uma desmoralização para as instituições.

Desmoraliza o país, desmoraliza as instituições e desmoraliza o presidente Lula.

Que passou anos dizendo que a privatização era um roubo.

A privatização da Eletrobras é um crime de lesa pátria, é uma esculhambação.

Chegou a ameaçar na campanha.

Ó, se vocês entrarem nessa, depois vocês vão pagar.

Agora esse cara vai lá e não, tudo bem, tá tudo certo.

Mas como tá tudo certo?

É muito ruim isso.

Desmoralização do país, desmoralização do presidente da República, desmoralização das instituições.

Então o crime compensa?

Pra vocês terem uma ideia do que a gente tá falando.

A Eletrobras tem 40, o Governo tem 43% das ações ordinárias que dão direito a voto da Eletrobras.

Era isso que o Governo estava questionando.

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Foi isso que ele abriu mão quando aceitou o acordo. Porque esses 43% só dá direito pela privatização a 10% das ações dos votos na assembleia de acionista.

Então, embora você tenha 43% das ações.

Dessas 43%, só 10% é que tem direito a voto de fato.

Então você sumiu, desapareceu com 33%, é, mas como assim 33% das ações desapareceram?

Não tem direito a voto? Não, não tem porque, porque a gente seguiu isso na privatização.

Olha aí que história é essa daí que começou a confusão, a discussão, a arguição de inconstitucionalidade que foi para o supremo, que depois foi para a conciliação, tudo isso que a gente já discutiu aqui, mas é isso aqui, vocês sabem quanto é que se a gente fala, Ah, 33% das ações ordinárias, é, perderam o direito a voto, perderam, mas isso vale quanto Ronaldo?

Cara, vale mais de 30 bilhões de reais.

É sobre isso que a gente está falando, 30 bi, então é uma desmoralização, é uma prevaricação, você está prevaricando, desmoraliza o país, desmoraliza as instituições, desmoraliza o presidente Lula.

E com requintes de perversidade.

Com acordo, a Eletrobras ainda se desobrigou a fazer os investimentos que ela tinha que fazer em Angra 3.

Desobrigou, você liberou os cara, olha, não precisa mais fazer um investimento não, tá?

Caraca, que isso?

Você resolveu o problema dos caras em nome do que?

Ah, eles vão emprestar a Eletrobras via debêntures?

Não.

No fundo é um empréstimo.

Vão emprestar 2 bi para a Eletrobras, para a Eletronuclear, em troca, em troca de um ajuste da Eletronuclear que vai envolver rigoroso demissão de trabalhadores, enfim, o Governo entregou os trabalhadores da Eletronuclear a sanha desses caras.

Dentro do acordo eu não tenho problema, porque esse empréstimo vai ser garantido pelos recebíveis de Angra 1.

Cara, a Eletronuclear fez o consignado, o consignado com a Eletrobras.

A Eletrobras vai emprestar dinheiro pra Eletronuclear na forma de debêntures? Não na forma de consignado, cara.

Não, né?

Isso é uma desmoralização.

Então o problema do acordo é que ele também.

Ele desmoraliza, ele desmoraliza e por isso que ele não é bom.

É por isso que a gente tá tendo que discutir esse conjunto da obra, né?

Porque na verdade, a gente tá falando de um conjunto da obra.

Então a gente precisa conversar sobre isso agora, pra terminar, o que a gente precisa é botar um ponto nisso.

Eu acho que tem 2 questões importantes aqui.

Primeiro que a vida segue

Não é à toa que nesse exato momento, a política do Governo do PT, desse Governo pro setor elétrico, é nenhuma.

O que a gente tem é um vazio.

E eu não vou ficar aqui discutindo vazio ponto.

Hoje não. É muito barulho a troco de nada.

Algumas coisas são patéticas, ridículas, vergonhosas.

Como foi a tentativa de trocar dívida antiga por dívida nova, usando os recursos da privatização da Eletrobras, que chegou o momento em que a anel teve que intervir e falar, olha só, você está trocando uma dívida velha do consumidor por uma dívida nova pra esse consumidor.

É isso que você tá fazendo aqui, né?

O problema é que essa dívida que você quer colocar nova, que você esperava que fosse uma dívida menor, condições melhores, é pior.

Ou seja, a situação do consumidor que você tá fazendo vai piorar a condição do consumidor.

Aí teve uma conta lá de chegada e ficou no Zero a Zero, aí fez uma ..., e Zero a Zero.

Patético, ridículo.

O Ministério que faz isso, o cara tinha que ser demitido no dia seguinte, cara, tá fora.

Por quê?

Cara, porque você é um merda, pô, olha, olha o que que você fez.

Você ia piorar as condições do consumidor, a tarifa ia ficar mais cara.

Como é que você faz um negócio desse?

Não todo mundo fazendo cara de paisagem.

Ah, mas tem o cara do Kassab, o cara é disso, aquilo lá vamos nós.

Então, vamos combinar.

Não existe. Ponto.

E aqui eu acho que tem 2 coisas importantes.

45:17

Primeira delas, eu acho importante pros movimentos sociais colocar uma questão na pauta, que é o acesso à energia elétrica, o direito ao acesso à energia elétrica.

A energia elétrica não é um insumo como um outro qualquer.

A energia elétrica não é um bem como um outro qualquer.

Não é.

Porque, inclusive, o mercado elétrico não é um mercado como um outro qualquer.

Então a luta pelo acesso à energia elétrica e, portanto, o acesso ao conforto, ao bem-estar que essa energia elétrica fornece, é uma luta dos movimentos sociais, histórica, histórica, histórica.

Então é preciso que os sindicatos.

É que você coloque o velho energia para todos, porque o que esse Governo está desenhando é uma energia para poucos.

Me desculpe que um Governo que seja progressista que seja o nosso Governo.

Patatá patatá tenha uma política que leve a uma energia para poucos e a única coisa que ele consegue fazer é ficar tirando dinheiro.

Ó, tem um fundo aqui da Itaipu, tem um fundo do pré sal, tem isso aqui, tem o fundo da privatização da Eletrobras, tentar pegar esse dinheiro e subsidiar a energia elétrica e tentar reduzir a (tarifa) da energia elétrica dessa forma.

E por que que ele tá fazendo isso dessa forma?

Porque ele é incompetente, ele não é capaz de definir uma política pública que garanta uma redução de custo que seja estrutural do setor.

Então ele fica pegando dinheirinho daqui, dinheiro dali, pra ficar enganando o consumidor, Ah, tá

Bom, botei aqui a grana de Itaipu, Ah, baixou a tarifa, Ah, acabou a grana de Itaipu, aí a tarifa sobe outra vez.

Pelo amor de Deus, um cara que faz isso vai embora, um técnico que faz isso, pô, você demite do seu time no dia seguinte, não.

Calma aí, então não é por aí.

Então cabe aos movimentos sociais chamar pra eles a responsabilidade de colocar essa pauta.

Nós queremos ter acesso à energia.

A gente não quer ter o direito de escolher de quem a gente compra uma energia elétrica cara, que é a picaretagem da liberalização do mercado.

Você vai poder escolher de quem que você compra uma porra de uma energia, cara, não é isso, eu quero ter direito a uma energia que eu possa pagar, eu não quero ter direito a tarifa social que me dá uma quantidadinha desse tamanhozinho de energia, ó, se vira aí, ó, pobre, você se vira com essa porra.

Eu não quero isso.

Eu quero ter direito aquela energia que dá o conforto, que dá o bem-estar.

Eu quero ter o direito de comprar uma, né, um aparelho de ar-condicionado lá nas lojas Bahia e poder ligar esse negócio.

Eu não posso comprar isso em 16 prestações, 450 prestações, e não vou poder ligar isso nunca, porque não consigo pagar a energia elétrica.

A dona Maria que faz bolo, faz em casa, não consegue pagar energia que ela, que ela usa ali, naquela pequena cozinha que ela tem ali pra melhorar, né? A grana, no final do mês, é isso que você tem que se preocupar.

É isso que é importante.

Então é energia elétrica pra todos, mas é o acesso à energia elétrica, energia elétrica barata, energia elétrica módica, energia elétrica que as pessoas possam ter acesso a ela.

Isso tem que voltar a ser o tema do movimento social, porque esse Governo não vai garantir coisa nenhuma.

Esquece, já era.

Esse Governo vai ficar torcendo, rezando pra chover, pra não ter nenhum problema de crise, porque ele não tem condição nenhuma de administrar e nem assim nem assim ele vai garantir redução de tarifa, a tarifa vai crescer, vai ter leilão de capacidade, porque tem uma série de coisas, cai na real.

Essa vaca já foi pro Brejo.

Lula, essa você já perdeu, mas não precisava assinar a rendição, né?

Como os franceses assinaram lá com o Hitler. Não precisava ter assinado, mas assassinou.

Então, essa é uma dimensão importante pro movimento social, o acesso à energia é um direito do cidadão e uma obrigação do Estado.

Ponto.

O que eu quero ter direito não é de escolher meu fornecedor.

Eu quero ter o direito a ter energia, a poder pagar.

Essa é a questão.

E para nós que estamos no front da análise, é sentar, é discutir, é debater, é pensar sobre soluções.

Como é que a gente pode construir um setor elétrico que seja capaz de entregar uma energia pro desenvolvimento econômico do país, pro desenvolvimento social, pra redução da desigualdade.

Essa que é a obrigação da gente.

Essa é a obrigação da gente que está na universidade, que somos pagos pelo povo brasileiro.

É de pensar isso e não ficar simplesmente trabalhando para as empresas privadas, pro mercado, pra essa galera que só está a fim de descascar o povão a ter uma energia cada vez mais, mais e mais cara.

Como projeto de hidrogênio, Data centers, um monte de porcaria que no final de tudo vai ser a galera que vai pagar essa porra toda.

O que que a gente tá fazendo nessa merda, me explica?

A nossa obrigação é encontrar essas soluções, porque ninguém vai tirar a gente do labirinto.

50:36

Se a gente não fizer isso, ninguém vai fazer.

Então cabe a gente fazer.

Essa é a nossa obrigação.

É reconhecer a importância da energia elétrica, por um lado, e tentar, como se fez historicamente no setor elétrico, inclusive no setor elétrico brasileiro, tentar achar uma solução que coloque energia barata.

Mas uma solução estrutural na solução estrutural não é fundinho do pré sal fundinho do sabe?

Sem essa palhaçada. Desse mato não vai sair de cachorro nenhum, esquece.

É isso meus amigos.

E pra terminar essa questão toda do acordo, ela me lembrou um belíssimo filme.

Se vocês puderem ver, vocês vejam.

Se chama o homem que não vendeu a sua alma A Man for The all Seasons.

Um homem pra todas as estações.

É um belíssimo filme dos anos 60.

Se eu não me engano, é um filme que ganhou o Oscar, eu não tenho certeza, mas conta a história do Thomas Moore.

O Thomas Moore é um filósofo, um filósofo católico na corte do Henrique VIII.

Como vocês sabem, o Henrique VIII, ele se separa da rainha e quer se casar com a Ana Bolena.

Mas para fazer isso, ele precisa que a igreja, o papa anule o seu casamento.

O Thomas More, que é um, é um Lorde chanceler, é uma pessoa importante para o Governo.

O Henrique VIII fica pressionando o Thomas More para apoiar a reivindicação dele junto ao papa,

já que ele é um filósofo católico importante.

E aí se coloca o dilema do Thomas More.

Se ele apoiar a reivindicação do rei, ele trai os seus princípios católicos.

Por outro lado, se ele diz pro rei que ele não vai apoiar, ele trai o rei, e vai ter represália, vai ter volta.

E a volta é bastante simples, o Thomas More vai perder o pescoço.

E aí se desenrola a história, o Henrique VIII pressionando o Thomas More e o Thomas More, então, ele não emite opinião, então todo mundo fica em cima dele querendo a opinião dele sobre isso.

E ele se recolhe e não opina, fica longe da corte, vai embora.

Só que chega um momento, surge um cara que diz, bom, eu falei lá com o Thomas More e ele falou que é isso mesmo.

O parlamento não tem poder nenhum para anular.

Né, para anular o casamento e só o papa e que ele é contra a reivindicação do rei.

E aí tem o julgamento, porque isso é considerado uma traição, tem o julgamento do Thomas More e surge essa figura que  diz, não, ele falou mesmo, et cetera, et cetera.

Encerra o depoimento do cara que ferra o Thomas More, que condena na verdade ele a morte.

E quando o cara tá saindo, o velho filósofo chega para o cara e fala assim: me diz uma coisa, o que que é essa corrente, essa medalha que está pendurada nessa sua corrente.

Aí o cara fala assim, Ah, isso aí é porque ele é o procurador geral do país de Gales

Gales é uma coisa pequenininha dentro da Inglaterra, então, ele é o procurador geral, o coletor de impostos de Gales, alguma coisa assim.

Aí o Thomas More fala o seguinte, chega para o cara.

Você vendeu a sua alma por Gales, você me traiu por Gales.

E é justamente essa cena desse belíssimo filme que me veio à cabeça nessa história do acordo entre o Governo e Eletrobras.

Vocês fizeram tudo isso, por Gales?

55:06

Vocês fizeram tudo isso por 3 cadeiras em um conselho de administração de 10.

No qual vocês vão sempre perder de 7 a 3 e se um dia vocês fizessem o milagre de ganhar.

Os caras levariam para aquela assembleia de acionista na qual você continua só com 10%?

E ali eles iam passar o trator em cima de vocês.

Ou seja, isso aqui não é nada, isso aqui é Gales.

Vocês venderam a alma, vocês entregaram a Eletrobras.

Vocês entregaram os trabalhadores da Eletronuclear por 3 cadeiras.

Venderam a alma de vocês, como diria o velho Thomas More, por Gales.

Tudo isso por Gales.

É isso aí, meus amigos.

No próximo Curto-Circuito a gente vai começar uma série sobre os grandes impasses do setor elétrico brasileiro, procurando entender de uma forma estruturada, de uma forma organizada, esses impasses e as soluções para esses impasses, porque apesar de tudo, a vida segue e nós seguimos aqui.

Naquele mesmo lugar que a gente sempre teve e com os mesmos compromissos.

A gente quer um setor elétrico que ajude a desenvolver o país, que ajude a reduzir as desigualdades, que ajude a incorporar as pessoas.

Enfim, a gente acredita que a energia elétrica pode sim melhorar a vida do país, a vida do país e pode melhorar a vida das pessoas.

E é esse o nosso compromisso e seguimos aqui.

Ponto.

Muito, mas muito obrigado mesmo pela atenção de vocês, de todos, de todas.

Obrigado por você, que pode discordar de mim, mas acompanhou esse raciocínio até aqui.

Eu respeito essas pessoas, respeito as pessoas que pensam diferente de mim e agradeço muito a todos vocês e a gente se encontra aqui.

Num próximo Curto-Circuito, vida que segue, meus amigos e minhas amigas, se cuidem.

Fim da transcrição

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