Transcrição de áudio - Curto-Circuito 74: A Guerra e o Petróleo
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Meus amigos e minhas amigas bem-vindos a todos e a todas ao Curto-Circuito.
Eu sou Ronaldo Bicalho e esse é um programa do grupo de economia da energia, do instituto de economia da UFRJ, que discute as grandes questões do setor de energia aqui e no mundo.
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Nesse programa especial, face à gravidade do contexto internacional, gravidade que se tornou maior a partir da entrada dos Estados Unidos na guerra Irã e Israel, nós gostaríamos de conversar com vocês sobre os impactos desses acontecimentos sobre uma variável chave para a economia no mundo todo, que é as condições de abastecimento, em particular do preço, do petróleo.
Para conversar com a gente sobre esse tema crucial, nós convidamos o especialista em economia da energia, Hélder Queiroz.
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Hélder é economista, com mestrado em planejamento energético pela COPPE UFRJ, doutorado em economia aplicada por Grenoble, na França. Helder foi diretor da agência nacional de petróleo e hoje é professor titular do instituto de economia da UFRJ.
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Antes de começar a nossa conversa com o Helder, eu gostaria de chamar a atenção de vocês sobre 2 pontos.
Primeiro deles é que, dada a importância de trazer informações e interpretações sobre o grave momento que nós estamos vivendo, nós interrompemos a série de programas Curto-Circuito que nós estávamos fazendo sobre os impasses do setor elétrico brasileiro.
Essa série será retomada no próximo programa.
O segundo é que, para aqueles que desejam acompanhar o Curto-Circuito, nós temos, além dos vídeos e podcasts aqui do canal do Instituto de Economia da UFRJ, um canal próprio específico para o Curto-Circuito no YouTube, que se chama curto traço circuito.
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E que reúne todo o acervo dos últimos 4 anos de programa, estruturado de tal forma que vocês possam aproveitar da melhor maneira possível todo esse material.
Além disso, temos um podcast próprio para o programa que se chama curto traço, circuito, também concentrado no conjunto de programas dos últimos 4 anos, e um blog chamado blog Curto-Circuito, no qual vocês encontram textos relativos aos temas que são abordados nos programas e as transcrições dos áudios desses mesmos programas.
Os links para todos esses recursos estão na descrição desse vídeo.
Visto isso, gente, vamos para o que interessa.
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Vamos para nossa discussão com o professor Helder Queiroz sobre os impactos da guerra sobre o mercado de petróleo.
Helder, meu amigo, seja bem-vindo.
Muito obrigado por atender esse nosso convite para discutir esse tema, que é um tema bastante pesado e fundamental, crucial hoje, sinta-se à vontade, a casa é a sua.
Comecemos aí sobre o quadro geral, sobre os impactos que se espera.
Que na verdade, a guerra já estava tendo sobre o mercado de petróleo e agora, com o agravamento das tensões, com o acirramento dos enfrentamentos.
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Helder:
Bom, boa noite.
Bom, isso é um prazer estar participando aí do Curto-Circuito.
Hoje estamos gravando no início da noite de domingo.
E, portanto, vamos também ver ao longo da semana quais vão ser os principais desdobramentos.
Com relação ao mercado de petróleo, que nesse fim de semana recebeu os impactos de 2 episódios importantes, um drástico, grave, que é a entrada dos Estados Unidos bombardeando instalações do Irã, instalações nucleares com riscos potenciais que ninguém ainda mediu direito sobre.
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Problemas de vazamento de material radioativo.
O outro desdobramento desse é uma reação ainda do plano econômico apenas do do Irã.
Que diz respeito à aprovação é da do fechamento do estrito de Ormuz, que, como a gente sabe, circula entre 25 a 30% do petróleo.
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Então.
É, em primeiro lugar, acho que não vai ser muita surpresa se amanhã o mercado de petróleo acordar.
E isso vai, a gente vai saber em alguns instantes, porque esses mercados na área vão abrir daqui as 34 horas, né?
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Mas se esse mercado acordar muito nervoso, a gente vai ter obviamente, volatilidade diária dentro do dia muito grande, mas muito provavelmente uma tendência de alta.
O petróleo já vinha fechando em cerca de 15 USD a mais, comparativamente ao início do mês.
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Quando a gente estava no início de junho ali, com cerca de 63, 64 USD, fechou em 77.
Então já tinha um impacto é de cerca de 15 USD, que é substantivo, ao longo dos primeiros 10 dias de crise.
Episódio como esse vai muito provavelmente acentuar essa tendência autista, tanto no mercado físico quanto no mercado de contratos futuros.
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A gente não tem bola de cristal pra dizer qual vai ser o preço amanhã.
Mas de todo modo, eu também sempre gosto de lembrar que essa faixa é de 77 se a gente pegar os últimos 12 meses.
Ao longo do último ano, a gente já teve uma máxima no petróleo de 88 USD por barril há mais ou menos cerca de 1 ano.
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Então, uma subida de 10 USD talvez encontrasse esse teto que foi observado ao longo desses 22 últimos meses, que denota essa grande volatilidade dos preços ao longo dos últimos 12 meses.
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Assim, para sintetizar um pouco os efeitos disso tudo, é, eu acho que as expectativas vão ser formadas em torno do grau de desestabilização dos fluxos de comércio e produção de petróleo.
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Certamente haverá uma desestabilização.Tanto por pelo lado da oferta.
Porque haverá necessidade, caso se confirme, sobretudo fechamentos de Ormuz, ainda que seja no curto prazo.
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A necessidade de redirecionar os fluxos de produção por outras rotas.
Isso desestabiliza e gera, pode gerar uma escassez, ainda que de curto prazo, de oferta.
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Combinado a isso, tem toda uma questão logística.
De comercialização e que envolve não apenas os produtores, como eu gosto de lembrar, mas também os transportadores de petróleo, os navios petroleiros são ativos muito importantes e haverá um receio de, caso haja uma escalada no conflito de fazer circular navios por zonas militarmente expostas com riscos de guerra.
Além disso, todo o custo associado aos seguros que garantem esses ativos também já vinha sinalizando um aumento na semana passada, então ele pode sim haver um risco.
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O que será?
É relativamente inédito, comparativamente às outras crises e mesmo com relação à crise da Rússia e Ucrânia, pode haver um risco de comprometimento dos fluxos.
E, portanto, da segurança do abastecimento, ainda que seja no curto prazo e isso pode tender a fazer com que o preço venha a aumentar no primeiro momento, sim.
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Bicalho:
Helder, eu gostaria de fazer uma pergunta para você, que é o seguinte, o pessoal fala muito que é sobre o mercado de derivativos associados ao petróleo.
Porque existe uma quantidade muito grande de recursos mobilizados em torno desse mercado da ordem dos trilhões e trilhões.
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Enfim, gostaria um pouco da sua opinião sobre isso.
Helder:
Então, hoje se estima que a gente tenha no mercado físico cerca de 100 Milhões de barris dia comercializados. Produzidos, melhor dizendo.
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E cerca de 4/5 vezes isso no mercado futuro.
Sempre que existe, sempre que ocorrem variações mais expressivas dentro de 1 dia do da cotação do petróleo bruto.
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Esse mercado acaba negociando um volume maior de contratos.
Agentes econômicos de toda ordem.
Sejam as próprias empresas petroleiras, sejam importadores, sejam fundos de investimento buscando proteção e antecipação, ou mesmo apenas como um movimento especulativo com relação ao comportamento futuro dos do preço do petróleo.
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Então isso que você comentou, com certeza, mas vai acontecer.
Haverá, seguramente, um aumento do volume de contratos no mercado futuro, que tem se revelado um fator que amplifica a tendência, uma tendência autista.
Como vai ser essa que está sendo esperado.
Então, na verdade, a gente tem esse elemento também adicional às expectativas do mercado físico, mas que conta também hoje muito no processo de formação do preço a cada dia.
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Bicalho:
Helder, uma outra coisa é o seguinte, quer dizer, quais são as expectativas em termos de impactos no caso, no nosso caso, no caso do Brasil, na questão do nosso abastecimento, qual é o nosso grau de dependência hoje?
Quer dizer, enfim, embora nós também somos um grande produtor de petróleo também, né?
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Helder:
É, aí a gente tem que dividir.
A questão é entre a parte primeiro do petróleo depois dos derivados, né?
Como você falou, né?
O Brasil de 2006/2007 alcançou a autossuficiência. Hoje quase 20 anos depois, é um exportador líquido.
Relevante, até porque a gente também importa pequenas quantidades mais importantes, porque elas são fundamentais para fazer os blends em cada refinaria, em função do perfil tecnológico das diferentes refinarias que a gente tem, mas do lado é então do petróleo primeiramente, né, esse fato de ser um país petroleiro.
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E o preço subindo, obviamente, isso melhorará o saldo da balança comercial e seguramente vai fazer com que o petróleo continue sendo, passou a soja ano passado, como principal item da pauta de exportação do Brasil.
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Provavelmente continuará esse ano, caso persista um período longo, de preços mais elevados.
O segundo elemento ainda associado a esse Brasil petroleiro.
É que a arrecadação fiscal ela melhora muito.
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Por incrível que pareça.
Porque o cálculo dos royalties e das demais participações, como participações especiais, mas sobretudo os royalties, ele está atrelado ao preço do petróleo no mercado Internacional.
O preço sobe, então isso implicará numa arrecadação maior.
Que o que deve fazer com que o travesseiro do ministro Fernando Haddad fique um pouco mais macio nos próximos dias porque a gente tem que fazer lá no grupo essa semana, algumas contas.
Mas isso implicará em, a depender do tempo, no aumento da arrecadação fiscal.
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Aí tem que ver se vai compensar, porque como eu falei, ano passado chegou a bater 80, depois de 70, caiu a um pouco abaixo de 60.
E agora toda essa, essa volatilidade associada a gente é tem que esperar pra ver se um novo patamar de preços se se se estabelece.
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E aí, aproveitando essa aí, essa noção de um novo patamar de preços.
É tem 11 impacto que é normalmente negativo, que é o efeito sobre a inflação.
E a gente, tá, como todos sabemos, no período ainda, onde a política monetária é muito, muito contracionista, né?
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E restritiva, né?
Então isso, última reunião do Copom, até pra surpresa, muita gente levou a Selic pra pra 15%
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Se confirmar um novo patamar de preços, isso vai implicar em alguma algum repasse pro preço dos derivados no mercado doméstico.
Petrobras, na verdade, tem sido muito cautelosa e tem, dado toda essa volatilidade, tem sinalizado, acho que até corretamente, a espera de novos patamares, tanto no momento que baixou, como provavelmente vai ser o caso agora e sobretudo pelo agora, pelo peso, que isso terá sobre os níveis de inflação.
Então por esse lado, né, pra esgotar o problema do petróleo, do plano macroeconômico de exportação, arrecadação, isso acaba produzindo efeitos positivos.
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Do ponto de vista da inflação, pode vir a ser um problema grande.
Depois a gente tem que ver a questão pelo lado dos derivados também, né?
O nosso nós ainda não alcançamos.
E você perguntou isso, né?
A questão da ependência nossa, o diesel, o GLP, querosene de aviação em menor medida, et cetera.
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A gente ainda tem um conjunto de derivados que dependem da importação pra assegurar o abastecimento no mercado doméstico, né?
Essa desestabilização que eu mencionei, que eu tenho mencionado desde o início, dos fluxos de comércio, ela bate também no mercado de petróleo.
É importante lembrar uma mudança estrutural interessante, importante que aconteceu.
Ao longo dos últimos 15 anos, né?
Que foi o crescimento, por exemplo, da capacidade de refino na Arábia Saudita, né?
Então, a Arábia Saudita passou também a refinar, processar cargas maiores de petróleo, etc.., mas esses fluxos também de comércio e de produtos também sofrerão algum impacto, né?
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Além de, claro, como a matéria prima sobe, né?
O petróleo bruto, isso implica cara em, em, em, em, em derivados também um pouco mais caros.
Mas no curto prazo o meu receio é esse.
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A gente não sabe quanto tempo vai, vai se vai perdurar uma desorganização dos fluxos de produção e do e dos fluxos logísticos, tanto do petróleo bruto quanto dos derivados.
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Bicalho:
Hélder uma pergunta, nós já vivemos experiências como essa anteriormente, assim, nesse grau.
Assim, o mercado do petróleo não é.
É sempre, entre aspas, animado, né?
O mercado do petróleo, a gente tem todas as questões da estrutura, da oferta e demanda, a questão do mercado financeiro, mercado físico, mas a geopolítica importa.
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E importa muito, né?
No momento presente, né?
Uma entrada dos Estados Unidos numa guerra, né?
É uma atuação militar.
Isso já ocorreu no, no episódio das guerras do Iraque, et cetera.
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Mas neste, neste atual momento onde a gente vive uma geopolítica que busca sem sucesso há muitos anos algum alguns graus de compromisso de consenso, eu acho que a gente tem uma administração Trump 2 que é errática, caótica, pra ficar nessas, só nessas, nesses adjetivos.
Então, o grau de imprevisibilidade que se coloca ele não pode nem ser comparado, né, aos choques do petróleo quando as grandes potências tinham razões de sanções econômicas, embargos, et cetera, mas não estava em jogo uma guerra com esse, com essa dimensão, né?
Então isso é preocupante, até porque a gente não sabe como potenciais parceiros ou potenciais adversários na arena geopolítica irão se colocar, né?
Tudo muito recente.
Então eu, eu tenho.
Eu estou muito preocupado assim, porque eu acho que há muitos anos a gente não tinha um grau de tensão política e geopolítica tão elevado, né?
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Que ainda é muito mais importante pela quantidade de vidas que se perde a cada dia de todos os lados e a quantidade de destruição, né?
E o custo dessa reconstrução no dia que esperamos, aconteça que ele não perdure muito, vai ser muito elevado.
19:47
Então é a formação do das expectativas, como a gente falou antes, elas por hora estão muito até a formação de expectativa nebulosa, porque a gente realmente entrou numa marcha de insensatez muito alta, né?
E com países importantes, como os Estados Unidos, que que não tem um eixo condutor muito claro da nem compromissos com declarações de 1 mês atrás ou 15 dias atrás, ou do de campanha, et cetera, então.
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É fato que a gente vai ter um período aí de agravamento das no caso que nós estudamos, né, das condições econômicas mundiais, muito provavelmente um crescimento do PIB menor.
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De novo, uma inflação mundial mais alta.
Em 2022 a gente viveu, né?
A inflação naquele o preço do petróleo subiu muito, bateu 120, et cetera.
Então não seria muita surpresa se, caso perdure isso em algum momento, a gente ultrapassar de novo a Barreira de 100 USD.
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É, e isso levou ao que foi chamado a inflação da energia, né?
O próprio Estados Unidos, ainda na administração Biden, instituiu o o IRA, né, que é o inflation reduction Act, né, com uma série de medidas, né, de política econômica pra conter, né, o processo inflacionário, então, e isso se espraiou por diversos países, né?
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Inflação mundial foi muito elevada, então não será muita surpresa se isso vier se repetir, provavelmente uma dose de gravidade maior.
Bicalho:
Pra fechar, Helder, um outro tema com que você também discute muito e acompanha muito.
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É o que que esses eventos e a radicalização desses eventos, desses impactos no mercado de petróleo, no mercado de combustíveis, qual é o impacto?
Mas, por outro lado, uma desestruturação, uma desorganização muito grandes da ordem Internacional.
Qual é o tipo de efeito que tudo isso vai ter sobre um tema que é um tema chave hoje, que é a questão da transição energética, da descarbonização da matriz energética mundial, etc.. que é um outro tema sobre o qual você escreve.
Você estuda
E também acompanha muito de perto que é a questão da transição, qual o impacto de tudo isso sobre a transição energética?
Helder:
Então, de novo, acho que o processo de tomada de decisão de investimento, ele fica comprometido, né?
22:43
Mesmo aqueles países ou empresas que estavam apostando com maior velocidade, maior celeridade na substituição de derivados, isso, uma Escalada de preço pode efetivamente ajudar a acelerar processos como esse, mas, a grande questão é até que ponto, né?
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E aí isso é variável de um país a outro, as matrizes energéticas estão relativamente prontas, entre aspas, para garantir, ao mesmo tempo, um processo de descarbonização mais acelerado.
E ao mesmo tempo, o nosso tema de sempre, que é a segurança do abastecimento de energia, né?
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Dado que o petróleo é um é um recurso esgotável, né?
Ainda será necessário a reposição de reservas, né?
Caso haja, e aí vai depender como a gente falou antes, né?
Daum evolução e da Escalada desses acontecimentos, caso haja um processo de ruptura desses fluxos como a gente tá discutindo aqui, né?
Vai ficar cada vez mais evidente que para a garantia da segurança de abastecimento de petróleo, né?
Para a garantia do abastecimento, será necessário você continuar extraindo, explorando, etc, para aqueles países que têm recursos e reservas de petróleo.
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Então essa é uma questão que vai ser crítica.
Você me deu a oportunidade também de falar de algo que a gente, eu particularmente, acho que esqueci de mencionar, né?
O gás natural é conhecido, ficou marcado por o energético da transição, né?
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Porque ele tem um papel importante, sobretudo na matriz elétrica mundial, na substituição de centrais, é, é de geração a carvão.
Né?
Mas o gás também.
E, isso talvez seja muito relativamente novo com relação a outros episódios, dada a importância do Golf Pérsico também na produção de gás, sobretudo do Catar, e ali na ponta do Estreito de Ormuz, né?
A exportação de GNL do Catar para o sudeste asiático, por exemplo, e de outros países, né?
Sobretudo Catar.
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Pode ficar comprometida isso leva, né?
Também você a ter é problemas no fluxo, né?
De abastecimento do GNL para países que estavam promovendo essa transição país, país que importa, muito GNL, como o Japão pode ter isso comprometido.
Então aí é de novo, né?
Como em energia de decisões de investimento envolve sempre longo prazo, a gente tem que esperar, é um desdobramento mais concreto, né?
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Positivo ou negativo pra avaliar realmente esses impactos, né?
Se o preço vai perdurar ou não.
Mas o fato é que que a preocupação com o abastecimento, né, pode, por um lado, levar a uma aceleração em países importadores de decisões que ainda não se revelavam as mais econômicas, né?
Como a gente sabe, petróleo é o preço, como a gente costuma chamar, é o preço diretor da energia, porque eu a partir da análise do preço relativo com as outras Fontes, é que ele viabiliza ou não, né?
Então isso por um lado pode ser, é, pode trazer, se traduzir, né, num efeito positivo, né, para aceleração de alguns programas.
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A questão é, é em que medidas estão maduros e quais as soluções, né?
Que.
Que podem vir a vingar, né?
Como uma efetiva substituição que garanta ao mesmo tempo, né, a descarbonização e a segurança do abastecimento.
27:03
Bicalho:
Para terminar, Helder é pro pessoal que assiste a gente.
O que que o pessoal deve prestar atenção nos próximos dias, nas próximas horas?
Que você acha que são os eventos decisivos?
Variáveis decisivos em função de dessas variáveis e desses eventos é que vai se definir como vai ser a trajetória.
27:21
Do que vai acontecer?
Helder:
É, eu acho que observar, por exemplo, como vai ser a reação dos países vizinhos no Golfo Pérsico, né?
Com relação ao Irã, né, em termos de.
Até porque uma decisão como a gente vem falando do Estreito de Ormuz afeta todos eles.
27:42
Mas o ataque dos Estados Unidos em outra medida, né?
É rechaçado praticamente todos, então.
É no plano econômico, especificamente.
A maneira como esses países vizinhos irão responder.
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A forma como eles irão responder pode ser decisiva para os desdobramentos puramente econômicos, né?
E no campo geopolítico, aí já é um atrevimento, né, da minha parte.
Mas é aí a gente tem que ver em que medida outros, outras potências, né, como a Rússia, a própria China, que a China tem se revelado um pouco distante e moderada, mas obviamente está observando tudo isso e não vai achar muita graça se esses fluxos de suprimento de.
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Petróleo e gás natural começaram a ficar comprometidos.
Então essas variáveis, né?
Além de ser elementos que que tornam são variáveis, que tornam nossa análise ainda mais complexa, etc...
28:55
Mas é importante reconhecer que que a gravidade da situação aumenta a complexidade, né?
E aí a gente vai ter que estudar bastante esse, esses desdobramentos, mas muito provavelmente a gente vai voltar a falar aqui nos próximos dias sobre essas questões.
29:14
Bicalho
Bom, valeu Heldinho, muito obrigado.
Por você ter aceitado o nosso convite nesse domingo, né?
No domingo, 22 de junho, 6 horas da tarde, né?
Tirei você lá do seu domingo, do seu descanso, para ajudar a gente a entender um pouco mais sobre tudo que tá acontecendo, né?
29:35
E como você disse, é, na medida que essas coisas vão se acirrando, o quadro também vai ficando mais complexo.
Então a gente precisa de mais informação, mais interpretações.
A gente tá procurando trazer essas informações, essas análises, essas interpretações a partir dos nossos professores, né?
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Nós já fizemos uma conversa sobre o mundo contemporâneo com o professor Luiz Carlos Prado, o professor Francisco Teixeira, há 2 dias atrás, na verdade ontem, né, no sábado, para discutir esse tema.
Hoje estamos trazendo um especialista de alta qualificação, como é o Helder, para discutir essa questão do mercado de petróleo.
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Vamos tentar mobilizar outros professores, né?
Trazendo os impactos macroeconômicos, enfim, mais detalhados sobre esse tema, enfim.
Procurando colocar justamente à disposição da sociedade esse conhecimento da universidade Helder, mais uma vez, muito, mas muito obrigado pela presença e estamos condenados, né?
A voltar aqui para discutir esse tema.
Não há, seguramente na conforme os acontecimentos é eles forem se desenvolvendo, a gente vai repetir essa conversa aqui para avaliar exatamente todo o impacto que teve no mercado e as coisas que estão acontecendo.
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Gostaria também de agradecer muito aos nossos amigos, as nossas amigas que nos acompanham aqui nessas conversas, né, sobre o setor de energia, sobre o setor elétrico, enfim, que a gente se a gente vai desenvolvendo aqui no canal do instituto de economia da UFRJ e a gente se encontra, né, aqui num próximo Curto-Circuito aqui no canal do instituto de economia da UFRJ e.
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Vida que segue, meus amigos e minhas amigas e mais do que nunca se cuidem.
Fim da transcrição
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